terça-feira, 9 de abril de 2013

Gatos


 
Foto by Breno Feminella
(orguuuulho da mamis! :)
 
 
"Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não gosta de gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago.
A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado.
O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Desatentos não os agradam. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.
O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem.
O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa. Normalmente onde o gato deita com frequência, não tem energia boa. Caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali.
E assim, do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, pois ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele.
 O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta.
No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos."
"O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final."

( The Mythology Of Cats, Gerald & Loretta Hausman )
 
Texto copiado de "Alma Celta".

15º mini-cena do cotidiano



Tenho o hábito de tomar banho de ervas para limpar as energias densas que acabo entrando em contato em função do meu trabalho e da minha própria densidade...
Esses tempos atrás, quando estava fazendo o 'chazão', Ziba me perguntou pra que servia e eu expliquei...
Esses últimos dias eu tenho feito com maior frequência... E meu filhote observador, só de olho... Aí, ontem ele larga:

- Chá pra limpar a alma de novo, mãe?? Tua alma anda suuuja, heim!!

kkkk... Tenho sentido na pele o que é ter uma língua escorpiana por perto.... kkkk





segunda-feira, 8 de abril de 2013

Violência







Eu tenho um casal de vizinhos barraqueiros. Barraqueiros dos mais tristes, porque brigam quase todos os dias, e vira e mexe, ele senta o braço nela.
...Essa  madrugada do último sábado foi pior. Ela saiu pela rua gritando por socorro, com ele atrás. Os vizinhos se meteram, alguém puxou uma faca, mais berros foram berrados, a polícia foi chamada. A moça foi parar no pronto socorro, e na manhã seguinte já estava em casa, chamando o agressor de 'amor'.
Quando comentei a história no churrasco que fui no domingo, dizendo que não entendia como ela podia permanecer em uma situação assim, afinal só eu já escutei ela apanhar pra mais de 10 vezes, um deles me questionou. "A gente não sabe de que contexto ela veio... Quem sabe ela veio em uma família onde isso também acontecia. Agora ela apanha uma vez por semana, antes talvez ela apanhasse todo dia. Então pra ela, ele é um príncipe!"
E eu fiquei pensando que ele tinha toda a razão. Acaba tudo sendo uma questão de hábito.

Ela está acostumada a apanhar. E nós? Com qual violência estamos acostumados?
O que acreditamos que temos que brigar pra ter? O que  acreditamos que temos que 'aguentar' pra conseguir o que queremos?

Eu tenho muita dificuldade para exercer com sabedoria essa fronteira... Por achar que todo mundo tem o direito de escolher ser e sentir o que quiser, algumas vezes acabo me colocando em situações muito pesadas pra mim sem nem perceber. E lógico, que uma hora uma gota transborda e vomito toda a agressão que tive que 'engolir', e que (por hábito?) nem sabia que estava lá.
Não sei direito quais são as brigas justas...

Realmente é hora de questionar hábitos... e descobrir.

Afinal dessa vez, a vizinha pediu socorro e alguém a socorreu. Mas na próxima ninguém sabe o que vai acontecer.


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sexta-feira, 5 de abril de 2013

...reconhecimentos...


"Reconhecer quem sou é acreditar que posso ser melhor!"







Sempre tento perceber qual minha responsabilidade em qualquer situação que eu vivo.

O que não quer dizer que eu assuma toda a 'culpa' pelo que acontece, mas sim que eu reconheço que a única mudança sobre a qual eu realmente tenho poder é a minha.

Aceitar os outros colocando o mínimo de expectativa (porque alguma sempre vai ter) é difícil. Minha maior dificuldade é não cair na tentação de esperar que as pessoas me tratem como as trato. É minha expectativa mais difícil de ser quebrada. E é aquela que se eu me deixo entrar, sempre saio ressentida.

Continuo cansada de re-sentir. Continuo querendo situações novas na minha vida. Mas volta e meia me pego compreendendo os outros e querendo compreensão, aceitando os outros e querendo aceitação, escutando os outros e querendo ser escutada com atenção, buscando conhecer os outros e querendo ser conhecida de verdade. Às vezes ainda me percebo escolhendo ter paciência para situações que não tenho de fato. Para situações dúbias, por exemplo. Sinais ambíguos me deixam realmente chateada. É de minha responsabilidade assumir isso.

Muita coisa já mudou do que eu era. Hoje compreendo, aceito, escuto, conheço e me interesso por mim mesma também. Tenho vida independente. E isso me torna uma mulher forte. Mas não auto-suficiente. Preciso de ajuda e afeto de vez em sempre! E posso não precisar, mas realmente quero atenção.

E dói quando eu me sinto criticada constantemente e de forma não amorosa. Me perco quando estou em situações confusas. Me frustro quando não encontro disponibilidade...

Enfim... É fato que cada um só vai poder dar o que realmente tiver para dar.

Criar expectativas no outro é mesmo bobagem.
Pedir o que se quer e buscar ajuda é saudável.
Permanecer em relações que tiram mais do que dão é furada.
Respeitar a si mesma é fundamental.

E conseguir reconhecer nossas verdades pessoais e nossos auto boicotes é um tônico poderoso!





(texto e foto by Samanta Hilbert)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Pluma que sou...



Foto by Claudia Tommasi


E lá vou eu novamente explicar...
Meu ponto de vista, que entre leve e oceânico, é tão oposto ao seu.

Querido! A vida que vivemos é ilusória... e construimos nossa própria ilusão.
O que nos dá o incrível poder da criação!
Pluma teimosa que sempre serei, discordo.
Aliás, minha eterna discordância está implícita no meu movimento contrário ao seu:
 
A vida não é só (de sozinha), nem tampouco só (de pouco).
A luz serventia eternamente tem.
Ilumina sempre, mesmo que não saibamos a quem.
E  amor é dádiva...
Serve em primeiro lugar a quem o sente...
Independente do destinatário.

E minha vida vivida assim me dá a leveza e a profundidade de poder...



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Leveza....



foto by Claudia Tommasi


Ele me diz que sou pluma. Pluma querendo chegar no fundo do poço.
E se diz âncora com asas querendo voar.
Eu admito que essa imagem me agrada... Mas respondo que se tem algum fundo a que quero chegar, é no do posso.
E mais ainda, que já habito meu abismo marítimo, e que é legal aqui... Que no fundo profundo é escuro, e que a maneira de sobreviver é criar luz própria...
Ele me responde que é preciso luz própria tanto no fundo abissal do mar, quanto no meio rarefeito do universo, mas que a ideia do abismo marítimo é boa, porque dá um contexto onde uma âncora com asas e uma pluma querendo chegar no fundo, podem se encontrar.

E que um dia talvez ele ainda me conte essa história...


(by Samanta Hilbert)

Para você....

 (by Alma Celta)
 
 
Falamos demais...
Ultrapassamos barreiras que não podíamos transpôr sem que mudássemos...
Não respeitamos o 'não saber' implícito que amantes sensatos têm o cuidado de manter...
Contamos nossos segredos...
Não preservamos o mistério... E você diz que isso acabou com sua fome.
Te puxei para meu mundo de intimidades vaporosas, condensadas, sufocantes...
Sou mulher de confessionários, meu querido... De trazer a verdade exposta, mesmo que ela tenha cheiro de podre.
Desculpe, pra mim tem que ser assim... Pra valer a pena, tem que ser assim.
E sou assim porque posso reconhecer minha podritudes também... tantas! Tantas que aceito as tuas sem diminuir nada do teu 'ser homem'.
Aceito tuas fraquezas, não porque sou forte e posso suportá-las por ti, mas porque secretamente sou mais frágil ainda e admiro a capacidade de reconstrução sem negá-las que você tem.
Te admiro.
Eu me apaixono pelo que conheço bem. Não pelo que fica escondido atrás do véu enigmático do 'talvez'.
Gosto de investigações. De dissecações.
E isso leva a um novo nível de intimidade, compreendo.
A possibilidade de sermos amigos declarados, revelados e amantes completos é ir por um caminho mais profundo do que qualquer um de nós já foi. Pelo menos do que eu já fui...
Mas essa possibilidade dá trabalho. Porque o desvendar do mistério abre justamente a porta do inexplorado...
Tudo que é completamente novo precisa ser internalizado, e está fora da zona de conforto.
É aprendizado.
 
... E esse é meu mundo...
 
Não o seu.
 
 
( por Samanta Hilbert)
 
 
 
ZONA DE CONFORTO

um corpo em perfeita saúde vaga
por calmas e mornas águas, à deriva.
sem a pretensão de ter ido a todos os cantos,
mas satisfeito por ter ido a todos os cantos que pôde ou quis.
satisfeito. sem quase nenhuma vontade que reste.

vigia os perigos, protege os incautos, toma cuidado consigo e com tudo.
e contudo, vaga à deriva.
já foi ao fundo. mas esse não é o seu lugar.
definitivamente, não.
pois é corpo que, são, emerge da profundidade, procurando a luz, o calor ou uma teta.

bóia na superfície, quer no máximo o toque subcutâneo.
chora a dor do parto, tem saudade do passado,
mas não se nega ao que é novo, não.
até porque nada é muito novo quando já se viu de tudo.
ou quase tudo.

conhece os perigos.
sabe que é preciso ter coragem para dizer:
quero um conforto acima dos confortos humanos.
porque os humanos disso precisam. e isso merecem.
eu nem mereço, mas também não quero.

eu te entendo. te aceito. te admiro. te amo.
do meu jeito, se se pode esse amor aceitar e assim nomear.
somos mundos muito completos, muito complexos, e nossos caminhos são bem determinados.
nossa conjunção é temática e pontual, definida pela gravidade, espaço-tempo ou sei lá o quê.
einstein explica. se não freud!

tudo tem seu tempo. esse é o meu. não é o seu?
ou é o nosso tempo em dimensões distintas?
vou contando as horas apenas para ver o desgaste desse velho rabugento.
até que as leis de saturno decidam a nossa próxima sincronização.
até que o conforto se torne zona vou à deriva, aproveitando o que posso.

(por Paulo Nunes)
 
 
 
 
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