quarta-feira, 21 de agosto de 2013

OM SAT CHIT ANANDA

"O romance se separa de todas as outras formas de amor devido à intensidade da felicidade.
Qualquer criatura capaz de reproduzir-se com outra de sua espécie deve sentir atração, mas os humanos são únicos, pois podemos ver significado em nossa atração. Portanto existe uma grande diferença entre apaixonar-se inconscientemente, como se atingido por um raio, e conscientemente abraçar o dom do amor com o conhecimento pleno de que é isso que nossa alma anseia, aquilo pelo que você vive, o que será mais importante em sua vida.
Na Índia antiga, o êxtase do amor era chamado de Ananda, felicidade ou consciência beatífica. Os antigos videntes diziam que os humanos tinham sido feitos para participar desse Ananda todo o tempo. Um verso famoso dos Vedas declara sobre a humanidade: “No deleite foram concebidos, no deleite eles vivem, para o deleite retornarão.” Ananda é muito mais do que prazer, até mesmo o mais intenso prazer erótico. É um terço da fórmula para a verdadeira natureza do espírito humano, descrita pelos Vedas como Sat Chit Ananda, ou eterna consciência beatífica.
O caminho para o amor termina com a realização plena dessa simples frase. Sat é a verdade eterna sustentando toda a existência; quando sat está totalmente estabelecida, não há mal ou sofrimento, porque não há nada separado da unidade.
Chit é a consciência dessa unidade; é a plenitude da paz que não pode de modo algum ser perturbada pelo medo. Ananda é a felicidade suprema de estar nesta consciência; é a beatitude imutável que todos os vislumbrantes do êxtase pretendem ser. O caminho do amor nos leva ao conhecimento pleno de todos os três aspectos sem dúvidas. Mas o que nós provamos com mais frequência aqui na terra é o último – Ananda – na alegria da paixão.
O romance se separa de todas as outras formas de amor devido à intensidade da felicidade.
Duas pessoas que se encantam uma pela outra experimentam uma revolução no mais profundo de seus seres a partir da súbita descoberta de que a beatitude surgiu. Os mestres espirituais nos dizem que nascemos na beatitude, mas essa condição é obscurecida pela atividade caótica da vida cotidiana. Abaixo do caos, contudo, estamos tentando encontrar Ananda novamente; todas as alegrias menores são pequenas gotas, enquanto Ananda é o oceano.
As compreensões que se aplicam a essa fase crescem a partir do nosso desejo de encontrar a beatitude:
A beatitude é natural na vida, mas uma vez que nós a tenhamos encoberto, precisamos procurá-la nos outros.
A dor do anseio é uma máscara para o êxtase da beatitude.
A beatitude não é um sentimento, mas um estado do ser.
No estado de beatitude, tudo é amado.
Nossa ânsia de voltar à beatitude é um dos motivos por que apaixonar-se nunca é acidental. Todos nós temos o conhecimento subconsciente do que o amor pode fazer à psique. Uma pessoa isolada, cheia de frustração e solidão, é subitamente transformada, tornada completa além do poder de explicação da razão. No lugar da ansiedade e da dúvida, surge o êxtase. De acordo com o Novo Testamento:
“Não há medo no amor; mas o amor perfeito afasta todo o medo.”
Este senso beatífico de estar num lugar de paz e segurança enquanto duram os estágios iniciais do romance, apesar dos altos e baixos emocionais que se seguem inevitavelmente.
No entanto, Ananda é muitas vezes a última coisa que pensamos que vamos encontrar, porque antes de nos apaixonarmos, existe um período de intenso anseio. Esse estado é o negativo do romance, mas também é seu verdadeiro início, pois sem a separação e o anseio, não pode haver atração. Para encontrarmos a felicidade, temos que começar onde a felicidade não está presente. Em nossa sociedade, não é difícil achar esse lugar."
Deepak Chopra

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Minha querida amiga







Minha querida amiga Gabi... A mesma que reproduz o seu olhar especial nas lindas fotos que ilustram vários posts aqui...

A vida começa aos 39 e não aos 40?
Acho que a vida começa quando entramos no caminho certo...
Você já parou pra pensar quantas superações você teve nos últimos anos? Você já se deu os parabéns por todas as mudanças que conseguiu efetuar?
Hoje, nesse dia do ano que é especialmente teu, fiz isso... e quero te dar os parabéns...

Parabéns por ter parado de fumar...
Parabéns por ter encarado uma terapia, e por olhar para os assuntos doídos com coragem de mudar Parabéns por ter efetuado muitas dessas mudanças na prática.
Parabéns por ter ido atrás ( e conseguido) de colocar seu corpo na forma como queria que ele estivesse.
Parabéns por todas as mágoas que conseguiu deixar para trás. E parabéns por reconhecer que nem toda mágoa pode ser esquecida rapidamente e se perdoar por isso.
Parabéns pela profissional competente que és. E parabéns por não te estressar com o que não é de estressar.
Parabéns por estar atraindo relacionamentos mais bonitos.
Parabéns por ter ido viajar sozinha pra fora do país.
Parabéns por continuar indo a shows, por fazer o que te faz bem.
Parabéns por te deixar chorar quando sabe que precisa.
Parabéns por estar mais próxima da sua família.
Parabéns pelo teu amor e dedicação aos bichos.
Parabéns por estar falando mais e se escondendo menos.
Parabéns por ter dito do que não gosta, e de dar limites quando o contrário vai te fazer mal.
Parabéns por demostrar mais para os outros o que te faz feliz.

Parabéns pelos 39 anos te achar assim tão bonita, inteira e corajosa...

Parabéns por continuar indo atrás dos teus sonhos!

... Parabéns! E obrigada pela cia nesses últimos anos...



Ah! Fotos by Gabi Stoffel! :)

Conto...parte 2

(link para conto...parte 1 : http://gota-na-poca.blogspot.com.br/2013/05/conto-cap-1.html)







Um reclamando e outro sorrindo demais...  comportamentos polarizados de uma relação de competição, mesmo não parecendo uma...

Pensando em uma analogia:

Imagine que você ele um pirata... Gosta de liberdade, gosta de mandar no próprio nariz e não gosta de receber ordens... Aliás não gosta da ordem preestabelecida das coisas. Mas também é um pouco preguiçoso e inconsequente, então precisa exercer um certo autoritarismo...
Então, ele é um pirata, e piratas tem uma mulher em cada porto. E some por meses. Precisa de uma justificativa para continuar fazendo o que gosta, sem perder o que quer... Então reclama, como se não fosse responsabilidade dele o que acontece em sua vida... E como se não tivesse opção de mudar...

Agora imagine que ela é uma dessas mulheres de um desses portos... Com baixa autoestima suficiente para se apaixonar mais por ele do que por ela mesma. Também não se responsabiliza pela própria vida. O sentimento entre os dois é de verdade, forte. E ela precisa de uma  justificativa para não mudar essa situação, pois não quer perder o que passou a ser mais importante do que ela mesma... Então sorri... Finge que não se importa... e continua sorrindo e ignorando as coisas que incomodam...

Assim os dois começam a fazer coisas estúpidas para perpetuar a zona de conforto. Cria-se uma relação cármica aí, eles começam a se dever coisas. Na verdade devem a si mesmos, mas é fácil colocar a responsabilidade no outro. Ela começa a olhar o mar como grande responsável pelo comportamento dele. Faz um pacto com o mar. Tira ainda mais partes de si mesma como oferenda em troca da segurança dele...

Mas as coisas não funcionam assim... Quem tem uma vida de pirata e se arrisca diariamente, em algum momento tem que enfrentar seu destino... Se insistimos em permanecer na zona de conforto por muito tempo, a vida se encarrega de aviar algumas mudanças necessárias. E um dia uma grande tempestade destrói o navio do pirata. E o pirata junto... Então ele para de reclamar, e finalmente ela para de sorrir... Mas tem teimosos de todo os tipos, e ela se agarra à sua dor tanto quanto se agarrou ao seu sorriso.

Passa o resto dos seus dias se sentindo traída pelo mar, e o amaldiçoa constantemente. Não vai em frente. Fica presa em sua própria infelicidade, no sentimento de traição e no desencanto. Não se dá conta que existem inúmeras outras possibilidades...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Contos... dos que a gente escuta todo dia.


 
 
 
 
"Depois, bem depois, vem o tempo e nos mostra a verdade como se fosse um passo de dança. Suave, intenso, inteiro. Ele vem e mostra. E aí a gente olha para trás e pergunta: por que não agi diferente? Porque você não tinha o conhecimento que tem hoje. Não tinha a maturidade deste momento. Não te culpa. Não me culpa. A gente não tem culpa."
Clarissa Côrrea




Um baita começo... recomeço de vida. Transformação. Como com as borboletas que tanto gosto.


Muitas coisas, muitos mal-entendidos... Muita cabeça quente de ambas as partes...
Ele estava lindo.
E carinhoso. E derretido. E com saudade. Me olhava rindo como um bobo o tempo todo ( e eu devia estar igual...).
Conversamos francamente e claramente sobre o que de fato queríamos pela primeira vez. Eu disse que queria namorar, com ele me assumindo para os amigos, me vendo mais vezes e para viabilizar isso conhecendo minha família. Que queria comprometimento, que ele planejasse a semana me incluindo nela.
Ele disse que namorar assim desse jeito não queria. Que não estava pronto para isso. Que assim não conseguia porque tinha todos os problemas e não estava preparado. Que ele nem pensava que isso pudesse acontecer. E disse (então já perdendo o sorriso bobo) que achava que não acrescentaria nada para a minha vida nesse momento. Que até podia me enrolar, mas não ia durar e eu acabaria o odiando (o que provavelmente é verdade) por mentir.
Então decidimos ter uma noite de despedida... Foi... afff... ele foi tudo. Talvez tenha juntado em uma só noite tudo o que poderia me dar em alguns meses... Carinhoso, inteiro, apaixonado. Sincrônico por uma noite.

O dia nos amanheceu acordados... Saí sem dizer palavras, com a despedida na pele. Mas inteira por ter sobrevivido a mim mesma...

...adoro borboletas...




.
 
 
 
 
 
 
 
 

"Você sabe na cabeça, mas você não sabe no coração. Existe uma extraordinária distância da cabeça para o coração: uma distância de dez, vinte, trinta anos ou toda uma encarnação. Você pode saber algo na cabeça por quarenta anos e isto pode nunca ter tocado o seu coração. Somente quando você souber isto no seu coração você ficará realmente consciente disto."
Carl Gustav Jung
 
 
 
.

domingo, 18 de agosto de 2013

Meu Tanto...




Foto by Fani Marroco


Estava aqui pensando que tem tanta coisa boa no mundo... Tanta coisa que eu gosto...Gosto de me animar com alguma coisa nova. Gosto de estudar o que me desperta a curiosidade. Gosto de ter memória fotográfica para diálogos emocionais. Gosto de seres humanos com olhar doce (geralmente são castanhos). Gosto de meia velha e macia no pé frio. Gosto de guirlanda de flores na cabeça. Gosto de ter razão, mas gosto mais ainda quando ter razão perde a importância. Gosto de poder ficar em casa quando está chovendo. Gosto de banho de mar em mar quente. Gosto de arrumar mala e detesto desarrumá-las. Gosto de achar a constelação de escorpião no céu. Gosto de músicas dos anos 80. Gosto de couve refogada. Gosto de casos complicados que me dão medo no começo e depois consigo encaminhar. Gosto de cores. Gosto de brincos azuis. Gosto de gotas. Gosto de rir alto e de gente que ri alto comigo. Gosto de surpresas. Gosto de churrasco (é... pois é... um dia evoluo...). Gosto de histórias de amor reais. Gosto de ler. Gosto de gente que presta atenção, e de gente que me dá atenção, aquela atenção na medida certa... Gosto de respirar ar gelado quando estou bem agasalhada. Gosto de gatos se aninhando na minha barriga. Gosto de amigos verdadeiros que aparecem de repente. Gosto de cachos no cabelo. Gosto de cheiro de sol nas cobertas e travesseiros, e cheiro de alecrim esmagado nos dedos. Gosto quando entendo os ciclos e não me apego, mas também gosto de gente que muda pros mesmos lados que eu. Gosto de gente que renasce. Gosto de barulho de rio. Gosto de sol da manhã na pele. Gosto de viver...

Gosto de ser eu...

#momentoascendenteemleão... hahaha







.

domingo, 11 de agosto de 2013

Pontes




Essa semana escutei uma história que achei bemmmm bonitinha...

Depois dos meus últimos dois desastrados relacionamentos (um com um cara legal, mas mega ciumento -socooorro!- e outro com outro cara legal, com uma super afinidade mental e química nenhuma), andei meio cabreira e mais recolhida, pesando bem o diabo do trabalho que dá ter alguém para partilhar a vida contra o que de bom pode trazer.
Mas andaram me 'mandando' abrir o coração porque já estava na hora (função de terapeuta é ser metido mesmo, né... afff... rs), e tomei fôlego pra sair do seguro esconderijo embaixo da minha cama... :p
Uma das 'saídas' que eu achei para olhar um relacionamento como convidativo (em tese... rs) é ter a proposta de me comprometer, mas continuar cada um morando na sua casa. Assim, ad infinitum... Acho a proposta genial e não vejo problema nenhum nisso... afinal, por que temos que nos conformar em continuar com a forma tradicional de relacionamentos mesmo???
Minhas amigas, em sua grande maioria, acham a ideia o ó do borogodó, e até minha terapeuta (não o mesmo que me mandou sair de debaixo da cama, outra... tenho três...) dá uma zoadinha quando eu falo nisso.
Mas então, escutei essa historinha bonitinha...
Uma amiga foi fazer um curso com uma escritora/terapeuta, e no curso essa pessoa disse que mora assim com o marido... um em cada casa. Vizinhos, construíram uma ponte entre a varanda da casa dele e a varanda da casa dela.
Aparentemente dá certo... E olha só todo o simbolismo muito legal que isso tem.... cada um preservando seu espaço individual, sem se perder no relacionamento, mas vizinhando e construindo pontes entre si... Minha opinião? Bem melhor que morar na mesma casa e construir muros entre os dois... Os espaços-tempos compartilhados são escolhas de fato e fica bem mais difícil cair no lugar comum da rotina...
Me senti tãoooo compreendida quando soube dessa situação...

De qualquer forma a conclusão que eu chego é que pra estar junto, de uma forma ou de outra tem que amar muuuito mesmo...Amor sentido e amor vivido... Mas se a proposta é essa, bóra se fazer de fênix e ver se está mesmo na hora... E se amar  é mesmo decisão e capacidade, metade já foi...


 
Texto e foto Samanta Hilbert





"A maioria das pessoas acha que o amor nasce pronto, que é um presente do céu, um lampejo da alma, uma inspiração dos deuses, e cruzam os dedos para que "dê certo". Depois da mágica troca de olhares, do arrepio pelo corpo, do êxtase dos primeiros toques, as coisas podem mudar de figura, quando se deparam com a outra etapa que é Viver o Amor. Entre Sentir Amor e Viver um Amor tem uma distancia enorme. Para viver e permanecer amando seu par, é preciso que o aceite, que o valorize, que o respeite, que dê-lhe afeto e ternura, admire-o e compreenda-o. E que sinta a reciprocidade nos cuidados. Amar é uma capacidade e uma decisão, não só um sentimento."
 Aglair Grein -psicanalista




.